terça-feira, 5 de março de 2013

Porque "Apelos do Amanhã"?

Porque "Apelos do Amanhã"?


O título do Blog foi inspirado em um texto chamado 'O Apelo' retirado do livro Bilhões e bilhões de Carl Sagan no qual, em Janeiro de 1990, cientistas enviam apelos aos líderes religiosos, segue abaixo o apelo intitulado "Preservando e protegendo a Terra: um apelo a favor do compromisso conjunto da ciência e religião"...


      "A Terra é o berço natal de nossa espécie e, ao que se saiba, nosso único lar. Quando nossos números eram pequenos e a nossa tecnologia fraca, não tínhamos poderes para influenciar o meio ambiente do mundo. Mas hoje, de repente, quase sem ninguém perceber, os nossos números se tornaram imensos e a nossa tecnologia adquiriu poderes enormes, até terríveis. Intencional ou inadvertidamente, somos agora capazes de provocar mudanças devastadoras no meio ambiente global - um meio ambiente a que nós e todos os outros seres com os quais partilhamos a Terra estamos meticulosa e refinadamente adaptados.
      Somos agora ameaçados por alterações ambientais autoinfligidas em rápido processo de aceleração, cujas consequências biológicas e ecológicas de longo prazo infelizmente ainda ignoramos - a diminuição da camada protetora de ozônio, um aquecimento global sem precedentes nos últimos 150 milênios, a destruição de um acre de floresta a cada segundo, a rápida extinção de espécies e a perspectiva de uma guerra nuclear global que poria em risco a maioria da população da Terra. É possível que haja outros desses perigos que em nossa ignorância, ainda não percebemos. Individual e cumulativamente, eles representam uma armadilha para a espécie humana, uma cilada que armamos para nós mesmos. Por mais elevadas e cheias de princípios (ou ingênuas e míopes) que sejam as justificativas para as atividades que provocaram esses perigos, eles agora, isoladamente e em conjunto, ameaçam a nossa espécie e muitas outras. Estamos perto de cometer - muitos diriam que já estamos cometendo - o que em linguagem religiosa é às vezes chamado de Crimes contra a Criação.
      Pela sua própria natureza, esses ataques ao meio ambiente não foram causados por um único grupo político ou por uma única geração. Intrinsecamente, abrangem muitas nações, gerações e ideologias. O mesmo acontece com todas as soluções concebíveis. A saída dessa armadilha requer uma perspectiva que abranja os povos do planeta e todas as gerações futuras.
      Em problemas dessa magnitude, e em soluções que exigem uma perspectiva tão ampla, deve-se reconhecer desde o início uma dimensão não só científica, como religiosa. Cientes de nossa responsabilidade comum, nós, cientistas - muitos empenhados em combater a crise ambiental -, pedimos insistentemente que a comunidade religiosa do mundo se comprometa, com palavras e ações, e com toda a audácia requerida, a preservar o meio ambiente da Terra.
      Alguns dos atenuantes a curto prazo desses perigos - como o uso mais eficiente da energia, a rápida proibição dos clorofluorcarbonetos ou reduções modestas nos arsenais nucleares - são relativamente fáceis e em algum nível já estão sendo adotados. Mas outras medidas mais efetivas, de mais longo alcance e mais longo prazo, vão enfrentar inércia, negação e resistência em muitas partes. Nessa categoria estão a conversão de uma economia dependente dos combustíveis fósseis para uma economia de energia não poluente, uma reversão rápida e continuada da corrida de armas nucleares, bem como uma parada voluntária no crescimento da população mundial - sem o que muitas das outras medidas para preservar o meio ambiente serão anuladas.
      Assim como nas questões de paz, dos direitos humanos e da justiça social, as instituições religiosas também podem exercer uma forte influência nesse caso, encorajando iniciativas nacionais e internacionais nos setores políticos e privados, bem como nas diversas áreas do comércio, educação, cultura e meios de comunicação de massa.
      A crise ambiental requer mudanças radicais, não só na política pública, mas também no comportamento individual. O registro histórico deixa claro que o ensino, o exemplo e a liderança religiosos são poderosamente capazes de influenciar a conduta e os compromissos individuais.
     Como cientistas, muitos de nós tivemos profundas experiências de temor e reverência diante do universo. Compreendemos que aquilo que é considerado sagrado tem mais probabilidade de ser tratado com amor e respeito. Os esforços para salvaguardar e proteger o meio ambiente precisam ser incutidos com uma visão do sagrado. Ao mesmo tempo, é necessário uma compreensão muito mais ampla e mais profunda da ciência e da tecnologia. Se não compreendermos o problema, é improvável que sejamos capaz de corrigi-lo. Assim, há um papel vital tanto para a religião como para a ciência.
      Sabemos que o bem estar de nosso meio ambiente planetário já é uma fonte de profunda preocupação nos seus conselhos e congregações. Esperamos que este Apelo estimule um espírito de causa comum e ação conjunta que ajude a preservar a Terra."

     Assim, "Apelos do Amanhã" quer passar a ideia dos Apelos enviados pelas gerações futuras acerca de todos os males e erros que estamos cometendo atualmente e que realmente representam uma ameaça não apenas a continuidade da raça humana, mas a todos os seres vivos que habitam este planeta em comum, a Terra.

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