segunda-feira, 11 de março de 2013

Você é o que você come #1...

Você é o que você come #1...


     O Brasil é o primeiro colocado no ranking mundial na utilização de agrotóxicos desde 2008, sendo que  entre 2000 e 2010, seu uso aumentou 190%. Segundo a ANVISA, existem atualmente, no país, 130 empresas produtoras de agrotóxicos, que fabricam 2400 tipos diferentes de produtos. Em 2010 foram comercializadas 936 mil toneladas de agrotóxicos.


     Ok, você vai dizer que o aumento no consumo de agrotóxicos é devido ao aumento da produção, ao aumento da área cultivada e etc., e de fato este é um dos fatores. Mas o problema não está no pequeno aumento no uso de agrotóxicos provocado pelo aumento da produção ou área plantada. Mas sim no uso indiscriminado por parte de muitos produtores. Todos os produtores agrícolas sabem (ou no mínimo deveriam saber) sobre os problemas causados pelos agrotóxicos, mas muitos deles pensam apenas em garantir a sua produção e o seu lucro e não respeitam os limites de aplicação e nem o período de carência, que é o período entre a aplicação e a colheita, e colhem sua produção com uma concentração maior do agrotóxico.

      Outro fator é em relação à introdução dos transgênicos com a desculpa esfarrapada de diminuir o uso de agrotóxicos e/ou aumentar a produção agrícola sem precisar converter novas áreas para plantio, o que é pura baboseira. Pois o que se vê, na maioria dos casos, são cultivares transgênicas que apresentam resistência a determinado herbicida, ou seja, o produtor pode aplicar maiores doses de herbicida e a cultura de interesse não vai ser afetada. Isso é que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro no ranking no uso de agrotóxicos.

     Além disso, deve-se destacar que nos últimos anos o Brasil se tornou o principal destino da maioria dos agrotóxicos que foram banidos em outros países. Até 2010, pelo menos 10 produtos utilizados nas lavouras brasileiras já haviam sido proibidos na União Europeia, Estados Unidos e um deles até no Paraguai. E quem deveria fiscalizar a liberação ou proibição destes produtos é a ANVISA, mas esta cede às divergências no governo, pressões políticas e ações na justiça pelas empresas fabricantes. Se um determinado agrotóxico foi alvo de testes e reprovado em estudos pela comprovação de seus efeitos sobre a saúde humana em outros países, porque não deveria ser automaticamente proibido nos demais países? E o pior é que as empresas fabricantes sabem de tudo isso, mas quem vai pagar o preço cedo ou tarde é o agricultor (e principalmente os pequenos, sem muita instrução) e mesmo o consumidor. Em 2011, segundo dados do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, foram registrados mais de 8 mil casos de intoxicação por agrotóxicos.

     O vídeo abaixo é meio longo, mas vale muito a pena assistir, e é o mínimo que você deve fazer, se você tiver um pouquinho de interesse em saber mais sobre o assunto.


domingo, 10 de março de 2013

Harakiri

Harakiri

    'Harakiri' significa literalmente "cortar a barriga" ou "cortar o estômago", e é uma forma de suicídio. Era cometido por guerreiros, como uma forma de expiar seus crimes, pedir desculpas por seus erros, escapar da desonra, arrumar perdão para seus amigos e provar sua sinceridade.


      Nós estamos cometendo um 'Harakiri'. Ao poluir a atmosfera, ao contaminar rios, lagos e mares, ao desmatarmos florestas, ao extinguirmos outras espécies animais, ou seja, ao destruir tudo aquilo de que necessitamos e que o Planeta nos dá de graça e em ótima qualidade, estamos de certa forma cometendo suicídio! Mas diferentemente do 'Harakiri' samurai, este não nos fará expiar nossos crimes, nos desculpar por nossos erros, escapar da desonra. Este 'Harakiri' poderá ser a extinção da raça humana e o alívio para o Planeta Terra.



sábado, 9 de março de 2013

Mudando um pouco de assunto...

Mudando um pouco de assunto...



      É engraçado como todo e qualquer brasileiro, cidadão comum, ao procurar um emprego ter de apresentar, além de todos os seus documentos, um atestado de antecedentes criminais. Ao assumir um cargo público por ter passado em um concurso, não pode ter pendência nenhuma tanto com a justiça, a justiça eleitoral nem militar. Nós temos que apresentar todos os documentos necessários para provarmos que 'não devemos nada a ninguém', incluindo, em algumas situações, atestado médico e de aptidão física e mental. 
    Agora para se candidatar para  prefeito, vereador, senador, deputado e mesmo para presidente, não deveria ser exigido as mesmas coisas? Segundo consta na Constituição Federal sim, e com a Lei da Ficha Limpa, isso realmente deveria ser posto em prática, além de diversas outras exigências. Mas o que estamos vendo no Brasil? O caso de maior repercussão foi o do Senador Renan Calheiros acusado de vários crimes (peculato, falsidade ideológica, utilização de documentos falsos) ter sido eleito Presidente do Senado... Muitos dos atuais senadores, deputados e etc, tem pendências na justiça. Se você tivesse alguma pendência com a justiça, conseguiria assumir algum cargo público? Então porque eles assumem? Porque VOCÊ coloca eles lá!

     Lendo os dois textos abaixo fico pensando, que tipo de pessoa é capaz de votar em alguém com o perfil do Sr. Jair Bolsonaro do PP-RJ?

Jair Bolsonaro agride militantes do movimento negro: “Voltem para o zoológico”


       Ou então em um candidato como o Sr. 'deputado-pastor' Marco Feliciano do PSC-SP? Mas espere aí, o Brasil não é um Estado Laico? E pra completar, este Sr. ainda foi eleito como Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias? Como assim?


    Será mesmo que eleitores são burros, ignorantes, alienados o suficiente para não buscarem o mínimo de informação sobre seus candidatos? Em Colombo (município onde sou eleitor), a Sra. Beti Pavin do PSDB, mesmo tendo o registro da candidatura cassado, pois sua prestação de contas quando havia sido prefeita foi reprovada pelo Tribunal de Contas, assumiu a prefeitura do Município. Os eleitores não foram buscar o mínimo de informação sobre ela? 

Beti Pavin (PSDB) toma posse como prefeita de Colombo


    Ou será que não importa em quem votamos, os resultados podem sempre ser manipulados nas urnas? O vídeo abaixo é meio longo, mas vale a pena assistir e pensar a respeito sobre esta questão das urnas... 


     
       Sejam o minimo conscientes, se tem preferência por um candidato, busquem um pouco de informação sobre ele. Se ele tiver alguma pendência, qualquer que seja, mostre que quem manda é VOCÊ! E não pense em votar no candidato 'menos pior', pois pode ser pior ainda. Neste caso, vote nulo!

        A imagem abaixo diz tudo... 



sexta-feira, 8 de março de 2013

O que estamos fazendo?

O que estamos fazendo?

     

       O que nós estamos fazendo com a nossa Terra? O que estamos fazendo com o único lar que conhecemos dentre milhares de outros planetas? O único (até agora conhecido) que deu as condições necessárias para que a vida surgisse...


     Quando eu vi os vídeos abaixo parei para pensar e cheguei a conclusão que o ser humano foi a pior das espécies animais que já pisou nestas terras. Nenhuma outra espécie é capaz de destruir de tal forma qualquer habitat ou ecossistema que habite. No início a espécie humana até convivia em harmonia com a natureza, pois dela dependia para se alimentar, se abrigar e se proteger. Mas atualmente o ser humano não mais coexiste com a natureza, ele a subjuga, a explora (ou como disse uma vez um professor que tive, a estupra - sim, é um termo muito forte, mas é o que estamos fazendo). O homem, em sua sede por dinheiro, poder e etc., pensando apenas em si mesmo, polui o ar que necessita para respirar com gases que foram aprisionados no interior do planeta há milhares de anos para que sua superfície fosse habitável; polui as águas, os rios e mares dos quais depende tanto para saciar sua sede como para se alimentar; desmata grandes áreas de florestas para extrair madeira, expandir as cidades, aumentar as áreas produção de alimentos e carne, e quando estas áreas estão exauridas, com seus solos degradados, avança para outras áreas; destrói ecossistemas inteiros, altera paisagens e degrada biomas; e extingue outras espécies animais.
      Mas o pior dos males perpetrado pelo ser humano, é tratar este planeta como se fosse um grande lixão. Produzimos quantidades imensas de lixo que são descartados de formas mais diversas e inadequadas. Ainda existem cidades que não dão o tratamento adequado ao lixo, e que degradam ecossistemas para ocupá-los com lixões. Com a tecnologia e o conhecimento que dispomos hoje, todo o lixo produzido pode ser tratado de forma adequada. Mas mesmo assim, o ser humano continua tratando com desrespeito este planeta que deu condições e permitiu que ocupássemos sua superfície, e quem está pagando por isso não é apenas a raça humana, mas sim todas as outras espécies que habitam esta mesma Terra e que nada tem a ver com a estupidez humana.






      Na verdade, realmente espero que a raça humana nunca encontre outro planeta habitável ou habitado. Caso contrário, iríamos saqueá-lo e destruí-lo em busca dos recursos que já teríamos esgotado aqui ou então dizimar alguma outra civilização que o habite para então poder fazer o que quisermos neste novo planeta. Acho que o filme 'Avatar' relata bem o que aconteceria caso encontrássemos outro planeta com vida e com recursos necessários ao nosso modelo insustentável de vida. E olha que já tem empresas pensando na exploração de asteroides...

Empresa privada planeja explorar minerais em asteroides

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mamíferos ou vírus?

Mamíferos ou vírus?



     Quando assisti o filme 'Matrix' pela primeira vez, uma passagem do filme me fez pensar muito a respeito do ser humano:



     Resumidamente, durante o curso da história da humanidade, nós inicialmente éramos nômades caçadores e coletores de alimento e quando em uma determinada área já não havia alimento suficiente, migrávamos para outra área nova, e quando esta área também já não era suficiente voltávamos para a anterior ou íamos para uma nova, além disso, os seres humanos foram se dividindo e se espalhando por áreas diferentes. O advento da agricultura e da criação de animais permitiu que nos fixássemos em um lugar e passássemos a produzir nosso alimento. Ao expandir a área de produção e ter um excedente de produção, naturalmente que com maior oferta de alimento uma determinada população tende a aumentar não importando sua espécie (uma floresta em que sua biodiversidade é mantida, todos os seus 'habitantes' tendem a estar em equilíbrio, mas ao converter esta área para produção de soja, por exemplo, haverá maior oferta de alimento para insetos fitófagos e sem seus predadores, fará com que sua população aumente) e assim foi para os seres humanos. Nossa população aumentou e ainda está aumentando até que haja escassez de alimento (atualmente a produção de alimento é mais que suficiente para alimentar a todos, o problema é a distribuição e o dinheiro).
      Enfim, o aumento da população e o crescimento das cidades, faz com que novas áreas para produzir alimento tenham que ser exploradas. Florestas são derrubadas, campos são convertidos, várzeas são drenadas e etc. Nós realmente nos multiplicamos e consumimos os recursos naturais que existem em diferentes áreas e regiões, e quando estes recursos não são mais suficientes, buscamos em outros locais. Como um dos exemplos pode-se citar as fontes de água potável. Normalmente uma cidade se forma próximo às fontes de água que são utilizadas para consumo humano e animal. A cidade vai crescendo, esta fonte de água é poluída e temos de ir para outra área buscar água potável de qualidade. Nós não entramos em equilíbrio com o planeta, nós o moldamos à nossa necessidade. E ele está respondendo a isso.
      O que acontece quando você está gripado ou doente? O primeiro sinal de que há algo de errado tende a ser uma febre. A febre é uma reação natural do corpo humano contra organismos invasores, sejam eles vírus, bactérias ou fungos. Ao aumentar a temperatura do corpo, estes organismos estranhos tendem a ser eliminados ou entrar em um equilíbrio para que não causem problemas.       


      E o que está acontecendo com o planeta? O efeito estufa, o aumento da temperatura global, nada mais é do que uma febre. O planeta está tentando eliminar aquilo que o está deixando doente: os seres humanos. Nós somos a causa disso. Nós somos a fonte desta doença no planeta. Nós não tendemos a um equilíbrio com a natureza e até que este equilíbrio seja restabelecido, vamos sofrer as consequências. Nós poluímos os rios e os mares, a atmosfera, derrubamos florestas e degradamos os solos, extinguimos outros seres vivos. A água, a atmosfera, o solo, as florestas e todos os organismos vivos tem a função de manter um equilíbrio propício para a manutenção e perpetuação da vida neste planeta, e nós, seres humanos, estamos nos tornando um vírus.

      Para encerrar meu ponto de vista, recomendo assistir este documentário e refletir. O vídeo abaixo está divido em partes, mas para quem quiser ver o vídeo inteiro é só clicar no link:




Ameaça à única ferramenta a favor da verdade...

Ameaça à única ferramenta a favor da verdade...


     Como se já não bastasse toda a filtragem e manipulação das notícias veiculadas pelas grandes mídias (telejornais, jornais e revistas) mostrando muitos dos fatos de maneira tendenciosa e manipulativa, também querem censurar o único veículo de informações onde se pode realmente encontrar a verdade por trás dos muitos fatos noticiados: a internet.


     Já faz um bom tempo que eu deixei de assistir os telejornais (principalmente os da rede Globo). Atualmente minha principal fonte de informações é a internet, sejam blogs e um ou outro jornal e revista, e também o facebook (o facebook!? Sim, apesar de ser uma rede social, há muitas coisas interessantes circulando se você souber que perfis curtir ou seguir). Como a mídia televisiva é extremamente tendenciosa e manipuladora, não se pode ter certeza de absolutamente nada do que circula nesse meio, então para checar diversas notícias e fatos, procuro outras fontes na internet.

(Para quem ainda não viu, recomendo muito ver o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" - E vejam antes que seja censurado! Porque do jeito que as coisas andam...)

    
     E como se não bastasse vi esta notícia (pelo facebook, postado pelo grupo Anonymous, o qual sigo) de que o Sr. Deputado Claudio Cajado (DEM-BA) quer censurar vídeos ou textos na internet que "desagradem" parlamentares. (E qual seria a definição de "desagradar" para estes parlamentares?).



     Ou seja, se alguém postar alguma informação a respeito de parlamentares, sejam denúncias, opiniões contra, críticas, enfim, algo que "desagrade" este parlamentar, como são postadas diversas na internet, esse conteúdo pode ser removido da apenas por tê-lo "desagradado". De que outra forma teríamos conhecimento sobre a licitação comandada por Roberto Gurgel para que a empresa Apple fosse ganhadora da licitação, na compra de 1226 tablets? Pois esta é uma informação que muito provavelmente o desagradaria...


     Ou então de que José Serra teria 20 páginas de certidão de crimes eleitorais e 3 processos ativos por corrupção? O que também o desagrada ter isto publicado na internet...

José Serra tem 20 paginas de certidão de crimes eleitorais e 3 processos ativos por corrupção


      Ao ler algumas notícias com esse tipo de conteúdo na internet, as pessoas podem ir atrás das fontes originais (site da Justiça Eleitoral, Ministério Público e etc.), mas e se estas notícias são censuradas antes de chegarem às pessoas, como ficar sabendo? Como ir atrás das fontes originais? Algumas dessas notícias foram veiculadas pela mídia? Porque será? 
     E por que tanto medo destes parlamentares sobre eventuais informações 'incorretas' ou 'inverídicas'? Já dizia o velho ditado: "Quem não deve, não teme". A internet é a única ferramenta na qual podemos realmente encontrar determinadas notícias e checarmos estes fatos. A internet deve ser mantida livre de censura doa a quem doer.

terça-feira, 5 de março de 2013

We are Here: The Pale Blue Dot (Carl Sagan)

We are Here: The Pale Blue Dot (Carl Sagan)

    

   "Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas máquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidência. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal."

   
   Este vídeo foi um dos primeiros que vi e que me fizeram refletir sobre muitas coisas a respeito do que somos e do que estamos fazendo a nós e a nosso planeta, como estamos nos destruindo com tolices, coisas insignificantes.
   Nosso Planeta Terra, é o único conhecido (até o momento) que abriga formas de vida, desde as mais primitivas até as mais 'evoluídas'. Tudo neste planeta está intrinsecamente relacionado funcionando como uma unidade perfeita para a manutenção da vida e perpetuação das espécies existentes. O solo que fornece nutrientes às plantas e abriga uma infinidade de organismos (micro, meso e macro), as plantas que se nutrem do solo e utilizam energia solar para converter os nutrientes retirados do solo em seu próprio 'alimento'. As plantas que servem de alimento aos animais e estes, por sua vez, de alimento a outros animais. Tanto as plantas como os animais 'mortos' retornam na forma de nutrientes ao solo para dar continuidade neste ciclo por meio dos organismos decompositores. Os animais que respiram o oxigênio produzido pelas plantas, as plantas que absorvem o gás carbônico expirado pelos animais. Cada habitat, cada ecossistema existente, é dependente um do outro para sua manutenção e continuidade. Tudo tem a sua função e tudo está intimamente relacionado para a manutenção da vida no planeta Terra.
   O ser-humano inserido nesse ambiente, tem o poder tanto de prosperar e se tornar parte desse sistema único, como de destruir e extinguir a vida no único planeta que deu condições para que isso acontecesse. As alterações provocadas pelo ser-humano nos ecossistemas nos últimos 50 anos são as mais rápidas e as mais profundas do que em qualquer outro período da história da humanidade. E isso já está trazendo diversas consequências sendo a principal delas o aumento da temperatura global que acarreta uma série de consequências tais como elevação dos níveis dos oceanos, ondas de calor mais frequentes e ciclones violentos, crises no abastecimento de água, bem como impactos na biodiversidade do planeta.
   Em relação ao Universo, nós somos insignificantes. Podemos extinguir a vida no planeta e, em consequência, extinguir a nós mesmos, e isso não vai fazer o Universo parar ou entrar em colapso. Mas tudo o que temos, tudo o que conhecemos está neste "Pálido Ponto Azul" e isto é o que o torna mais único. Ao mesmo tempo em que é tão insignificante na escala cósmica, é tão único e essencial. É aqui. É nosso lar. Somos nós.
   Vale muito a pena ver este vídeo. E refletir sobre o que estamos fazendo aqui e qual é o futuro que queremos.


Porque "Apelos do Amanhã"?

Porque "Apelos do Amanhã"?


O título do Blog foi inspirado em um texto chamado 'O Apelo' retirado do livro Bilhões e bilhões de Carl Sagan no qual, em Janeiro de 1990, cientistas enviam apelos aos líderes religiosos, segue abaixo o apelo intitulado "Preservando e protegendo a Terra: um apelo a favor do compromisso conjunto da ciência e religião"...


      "A Terra é o berço natal de nossa espécie e, ao que se saiba, nosso único lar. Quando nossos números eram pequenos e a nossa tecnologia fraca, não tínhamos poderes para influenciar o meio ambiente do mundo. Mas hoje, de repente, quase sem ninguém perceber, os nossos números se tornaram imensos e a nossa tecnologia adquiriu poderes enormes, até terríveis. Intencional ou inadvertidamente, somos agora capazes de provocar mudanças devastadoras no meio ambiente global - um meio ambiente a que nós e todos os outros seres com os quais partilhamos a Terra estamos meticulosa e refinadamente adaptados.
      Somos agora ameaçados por alterações ambientais autoinfligidas em rápido processo de aceleração, cujas consequências biológicas e ecológicas de longo prazo infelizmente ainda ignoramos - a diminuição da camada protetora de ozônio, um aquecimento global sem precedentes nos últimos 150 milênios, a destruição de um acre de floresta a cada segundo, a rápida extinção de espécies e a perspectiva de uma guerra nuclear global que poria em risco a maioria da população da Terra. É possível que haja outros desses perigos que em nossa ignorância, ainda não percebemos. Individual e cumulativamente, eles representam uma armadilha para a espécie humana, uma cilada que armamos para nós mesmos. Por mais elevadas e cheias de princípios (ou ingênuas e míopes) que sejam as justificativas para as atividades que provocaram esses perigos, eles agora, isoladamente e em conjunto, ameaçam a nossa espécie e muitas outras. Estamos perto de cometer - muitos diriam que já estamos cometendo - o que em linguagem religiosa é às vezes chamado de Crimes contra a Criação.
      Pela sua própria natureza, esses ataques ao meio ambiente não foram causados por um único grupo político ou por uma única geração. Intrinsecamente, abrangem muitas nações, gerações e ideologias. O mesmo acontece com todas as soluções concebíveis. A saída dessa armadilha requer uma perspectiva que abranja os povos do planeta e todas as gerações futuras.
      Em problemas dessa magnitude, e em soluções que exigem uma perspectiva tão ampla, deve-se reconhecer desde o início uma dimensão não só científica, como religiosa. Cientes de nossa responsabilidade comum, nós, cientistas - muitos empenhados em combater a crise ambiental -, pedimos insistentemente que a comunidade religiosa do mundo se comprometa, com palavras e ações, e com toda a audácia requerida, a preservar o meio ambiente da Terra.
      Alguns dos atenuantes a curto prazo desses perigos - como o uso mais eficiente da energia, a rápida proibição dos clorofluorcarbonetos ou reduções modestas nos arsenais nucleares - são relativamente fáceis e em algum nível já estão sendo adotados. Mas outras medidas mais efetivas, de mais longo alcance e mais longo prazo, vão enfrentar inércia, negação e resistência em muitas partes. Nessa categoria estão a conversão de uma economia dependente dos combustíveis fósseis para uma economia de energia não poluente, uma reversão rápida e continuada da corrida de armas nucleares, bem como uma parada voluntária no crescimento da população mundial - sem o que muitas das outras medidas para preservar o meio ambiente serão anuladas.
      Assim como nas questões de paz, dos direitos humanos e da justiça social, as instituições religiosas também podem exercer uma forte influência nesse caso, encorajando iniciativas nacionais e internacionais nos setores políticos e privados, bem como nas diversas áreas do comércio, educação, cultura e meios de comunicação de massa.
      A crise ambiental requer mudanças radicais, não só na política pública, mas também no comportamento individual. O registro histórico deixa claro que o ensino, o exemplo e a liderança religiosos são poderosamente capazes de influenciar a conduta e os compromissos individuais.
     Como cientistas, muitos de nós tivemos profundas experiências de temor e reverência diante do universo. Compreendemos que aquilo que é considerado sagrado tem mais probabilidade de ser tratado com amor e respeito. Os esforços para salvaguardar e proteger o meio ambiente precisam ser incutidos com uma visão do sagrado. Ao mesmo tempo, é necessário uma compreensão muito mais ampla e mais profunda da ciência e da tecnologia. Se não compreendermos o problema, é improvável que sejamos capaz de corrigi-lo. Assim, há um papel vital tanto para a religião como para a ciência.
      Sabemos que o bem estar de nosso meio ambiente planetário já é uma fonte de profunda preocupação nos seus conselhos e congregações. Esperamos que este Apelo estimule um espírito de causa comum e ação conjunta que ajude a preservar a Terra."

     Assim, "Apelos do Amanhã" quer passar a ideia dos Apelos enviados pelas gerações futuras acerca de todos os males e erros que estamos cometendo atualmente e que realmente representam uma ameaça não apenas a continuidade da raça humana, mas a todos os seres vivos que habitam este planeta em comum, a Terra.