Já escrevi outras duas postagens falando sobre o assunto (#1 e #2), mas novamente merece atenção. O que é mais importante: os interesses gerais sobre a saúde humana e o meio ambiente ou os interesses particulares (leia-se 'lucro') de empresas?
Já há muitas evidências científicas apontando a relação de certos agrotóxicos com a morte de abelhas, que são de fundamental importância no processo de polinização de milhares de plantas utilizadas na alimentação humana, e mesmo assim, determinadas empresas se negam a aceitar tais resultados e querem anular uma proibição para três inseticidas que está em vigor na União Européia desde 01/12/2013.
"A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente" (Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace).
O Tiametoxam, produzido pela Syngenta, o Imidacloprido e a Clotianidina produzidos pela Bayer foram proibidos, com base em avaliações científicas, por terem sido confirmados seus impactos negativos sobre as abelhas. Há estudos e resultados científicos comprovando seus efeitos negativos sobre o meio ambiente e mesmo assim, tais empresas querem anular esta proibição. Por quê? Ao meu ver, estas empresas não estão tão preocupadas com o meio ambiente como alegam estar:
Syngenta: "As boas práticas agrícolas e o uso intensivo de tecnologia permitem que os agricultores produzam mais com menos, conservando a terra, a água, as reservas naturais e a biodiversidade para as futuras gerações."
Syngenta: "As boas práticas agrícolas e o uso intensivo de tecnologia permitem que os agricultores produzam mais com menos, conservando a terra, a água, as reservas naturais e a biodiversidade para as futuras gerações."
Bayer: "Um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento sustentável".
O desenvolvimento sustentável é aquele que visa atender as necessidades atuais sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras (de acordo com a ONU), mas sem insetos polinizadores, principalmente as abelhas, não estamos minando a capacidade para atender as futuras gerações? Estas empresas estão muito mais preocupadas em continuar lucrando com a venda de seus produtos do que com a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.
Se estes produtos estão dentre os que afetam as abelhas, devem ser proibidos e banidos não apenas da União Européia, mas de todo o globo. Caso contrário, as empresas os levarão para os países que tem legislações mais comprometidas ou governos incapazes frente ao lobby destas empresas, como acontece com muitos agrotóxicos que ainda são utilizados no Brasil mas que já foram proibidos na UE e nos EUA.
Para saber mais, segue um estudo publicado pelo Greenpeace sobre os riscos que esses inseticidas apresentam para as abelhas:
Novamente termino com a citação de Albert Einstein: "No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais do que quatro anos de vida."
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