As revistas científicas, aquelas que apresentam pesquisas e resultados de diversas áreas do conhecimento, e que deveriam servir como material de referência quando buscamos o conhecimento científico mais puro, infelizmente estão sendo contaminadas pelo dinheiro e ganância de empresas medíocres, como a Monsanto, que tem seus interesses financeiros 'prejudicados' por dados realmente científicos.
Um tema tão polêmico quanto a liberação de plantas transgênicas no meio ambiente DEVE ser alvo de pesquisa científica e os resultados DEVEM ser publicados abertamente, sejam eles a favor ou contra. Afinal, o conhecimento científico deve chegar ao maior número de pessoas possível, ele jamais deve ficar restrito a determinados círculos.
Mas o que acontece quando resultados de pesquisas científicas vão contra os interesses de uma empresa tão grande e poderosa como a Monsanto? É lógico que uma pesquisa científica, que demonstre que o consumo de organismos geneticamente modificados (OGM's) causa problemas como o aumento da incidência de câncer em cobaias alimentadas com milho transgênico produzido pela Monsanto, não ficaria impune.
A revista na qual foi publicada o artigo sofreu pressões para que suspendesse o trabalho publicado. "O pesquisador denunciou 'pressões insuportáveis' , destacando que o editor da revista Food and Chemical Toxicology não tinha constatado 'nem fraude, nem má interpretação dos dados' em seu estudo". O estudo publicado em 2012 dizia "que os ratos alimentados com OGM morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que aos demais", os produtos utilizados no estudo (o milho NK603 e o herbicida) são de propriedade da Monsanto.
E uma empresa deste porte aceitaria estudos científicos que pusessem em risco seus bilhões de dólares em faturamento?
Há muito já se sabe sobre o forte lobby de empresas como a Monsanto em setores do governo no qual elas tem determinados interesses: seja por meio de financiamento de campanhas eleitorais, por criação de cargos dentro do governo ou as vezes até mesmo com ameaças aos que vão contra seus interesses, estas empresas se esforçam para conseguir atingir seus objetivos.
Mas neste caso específico, a empresa conseguiu (em partes) atingir seu objetivo. A Monsanto colocou um ex-funcionário seu em um cargo recém criado no comitê editorial da revista. Richard E. Goodman, que trabalhou para a Monsanto de 1997 a 2004 se tornou o novo Editor Associado para Biotecnologia e após assumir seu cargo, a revista se retratou sobre a publicação, afirmando que os resultados apresentados não são conclusivos. Sendo assim, faço a mesma pergunta do artigo abaixo: "qual a chance de que uma nova pesquisa mostrando os impactos dos transgênicos venha a ser publicada pela Food and Chemical Toxicology?"
Com isso, será que poderemos confiar em revistas científicas? O que irá garantir que o conhecimento científico seja apresentado de forma imparcial? O que irá garantir que as pesquisas e os resultados "científicos" (agora entre aspas) estão sendo publicados sem manipulação de dados para que se favoreça determinada empresa? Repito a pergunta: será que poderemos realmente confiar em publicações científicas?
Recomendo a leitura do artigo a seguir: