terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Revistas científicas: confiáveis ou não?

As revistas científicas, aquelas que apresentam pesquisas e resultados de diversas áreas do conhecimento, e que deveriam servir como material de referência quando buscamos o conhecimento científico mais puro, infelizmente estão sendo contaminadas pelo dinheiro e ganância de empresas medíocres, como a Monsanto, que tem seus interesses financeiros 'prejudicados' por dados realmente científicos.


    Um tema tão polêmico quanto a liberação de plantas transgênicas no meio ambiente DEVE ser alvo de pesquisa científica e os resultados DEVEM ser publicados abertamente, sejam eles a favor ou contra. Afinal, o conhecimento científico deve chegar ao maior número de pessoas possível, ele jamais deve ficar restrito a determinados círculos.

     Mas o que acontece quando resultados de pesquisas científicas vão contra os interesses de uma empresa tão grande e poderosa como a Monsanto? É lógico que uma pesquisa científica, que demonstre que o consumo de organismos geneticamente modificados (OGM's) causa problemas como o aumento da incidência de câncer em cobaias alimentadas com milho transgênico produzido pela Monsanto, não ficaria impune.




      A revista na qual foi publicada o artigo sofreu pressões para que suspendesse o trabalho publicado. "O pesquisador denunciou 'pressões insuportáveis' , destacando que o editor da revista Food and Chemical Toxicology não tinha constatado 'nem fraude, nem má interpretação dos dados' em seu estudo". O estudo publicado em 2012 dizia "que os ratos alimentados com OGM morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que aos demais", os produtos utilizados no estudo (o milho NK603 e o herbicida) são de propriedade da Monsanto.

      E uma empresa deste porte aceitaria estudos científicos que pusessem em risco seus bilhões de dólares em faturamento?

      Há muito já se sabe sobre o forte lobby de empresas como a Monsanto em setores do governo no qual elas tem determinados interesses: seja por meio de financiamento de campanhas eleitorais, por criação de cargos dentro do governo ou as vezes até mesmo com ameaças aos que vão contra seus interesses, estas empresas se esforçam para conseguir atingir seus objetivos. 

    Mas neste caso específico, a empresa conseguiu (em partes) atingir seu objetivo. A Monsanto colocou um ex-funcionário seu em um cargo recém criado no comitê editorial da revista. Richard E. Goodman, que trabalhou para a Monsanto de 1997 a 2004 se tornou o novo Editor Associado para Biotecnologia e após assumir seu cargo, a revista se retratou sobre a publicação, afirmando que os resultados apresentados não são conclusivos. Sendo assim, faço a mesma pergunta do artigo abaixo: "qual a chance de que uma nova pesquisa mostrando os impactos dos transgênicos venha a ser publicada pela Food and Chemical Toxicology?"


      Com isso, será que poderemos confiar em revistas científicas? O que irá garantir que o conhecimento científico seja apresentado de forma imparcial? O que irá garantir que as pesquisas e os resultados "científicos" (agora entre aspas) estão sendo publicados sem manipulação de dados para que se favoreça determinada empresa? Repito a pergunta: será que poderemos realmente confiar em publicações científicas?

Recomendo a leitura do artigo a seguir:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

As abelhas e os agrotóxicos #3

Já escrevi outras duas postagens falando sobre o assunto (#1 e #2), mas novamente merece atenção. O que é mais importante: os interesses gerais sobre a saúde humana e o meio ambiente ou os interesses particulares (leia-se 'lucro') de empresas?


     Já há muitas evidências científicas apontando a relação de certos agrotóxicos com a morte de abelhas, que são de fundamental importância no processo de polinização de milhares de plantas utilizadas na alimentação humana, e mesmo assim, determinadas empresas se negam a aceitar tais resultados e querem anular uma proibição para três inseticidas que está em vigor na União Européia desde 01/12/2013.


     "A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente" (Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace).

     O Tiametoxam, produzido pela Syngenta, o Imidacloprido e a Clotianidina produzidos pela Bayer foram proibidos, com base em avaliações científicas, por terem sido confirmados seus impactos negativos sobre as abelhas. Há estudos e resultados científicos comprovando seus efeitos negativos sobre o meio ambiente e mesmo assim, tais empresas querem anular esta proibição. Por quê? Ao meu ver, estas empresas não estão tão preocupadas com o meio ambiente como alegam estar:

       Syngenta: "As boas práticas agrícolas e o uso intensivo de tecnologia permitem que os agricultores produzam mais com menos, conservando a terra, a água, as reservas naturais e a biodiversidade para as futuras gerações."

        Bayer: "Um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento sustentável".

       O desenvolvimento sustentável é aquele que visa atender as necessidades atuais sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras (de acordo com a ONU), mas sem insetos polinizadores, principalmente as abelhas, não estamos minando a capacidade para atender as futuras gerações? Estas empresas estão muito mais preocupadas em continuar lucrando com a venda de seus produtos do que com a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

     Se estes produtos estão dentre os que afetam as abelhas, devem ser proibidos e banidos não apenas da União Européia, mas de todo o globo. Caso contrário, as empresas os levarão para os países que tem legislações mais comprometidas ou governos incapazes frente ao lobby destas empresas, como acontece com muitos agrotóxicos que ainda são utilizados no Brasil mas que já foram proibidos na UE e nos EUA.

       Para saber mais, segue um estudo publicado pelo Greenpeace sobre os riscos que esses inseticidas apresentam para as abelhas:


     Novamente termino com a citação de Albert Einstein: "No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais do que quatro anos de vida."