domingo, 14 de abril de 2013

Por que privatizar? #2

Por que privatizar? #2


Como falei na outra postagem, para mim, a privatização é uma mistura de incompetência/desinteresse/favorecimento por parte do Governo. Mas como se dá a privatização?


     A falsa necessidade de privatização surge quando o Estado abandona determinado serviço ou setor. Sem investimentos, este setor começa a se deteriorar, se desgastar e a não oferecer mais um serviço de qualidade. E isso acontece porque: 1- quando no poder, os políticos recebem propostas de empresas onde são oferecidos dinheiro, cargos ou favores, pra que tal empresa consiga a concessão de um setor ou serviço; 2- quando candidatos, estas empresas financiam as campanhas eleitorais de tais políticos visando a privatização de um setor ou serviço. Assim, o Governo beneficia tais empresas com contratos ou leis. Recomendo a leitura desse texto: Privatização é a melhor saída?

      Além das ferrovias, rodovias e saúde, outros setores como a educação, cultura e o esporte estão sendo abandonados para que futuramente as pessoas PENSEM que a privatização é a melhor saída. No paraná, um exemplo disso, é que o sr. Governador Beto Richa, está interessado em privatizar áreas culturais como teatro, ópera, circo, danças e etc. Seja por incompetência de sua administração, seja por favorecimento a determinadas empresas que tem interesse na privatização deste setor, a questão é que a privatização é a entrega de serviços essenciais que deveriam ser fornecidos de graça para a população que já paga por estes serviços por meio de todos os impostos. Você paga impostos que deveriam ser convertidos em serviços públicos de qualidade, e ao invés disso, esse dinheiro é desviado por governantes, roubado por empreiteiras, usados em outras coisas desnecessárias, como o aumento de salário e auxílio de moradia e despesas de parlamentares, por exemplo, e nos é oferecido um serviço cada vez de pior qualidade para que pensemos que a privatização seria a melhor solução.





Enfim, privatizar NÃO é a saída. A saída é ter o destino adequado do dinheiro público e investido aonde ele realmente é necessário! Enfim... Este documentário é muito interessante mesmo e eu recomendo: Catastroika - a privatização vem a público.




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Por que privatizar? #1

Por que privatizar? #1


Para mim, a privatização de um bem, um setor ou uma instituição estatal é uma amostra da incompetência/desinteresse de um Governo. Quando o Governo não tem capacidade técnica/intelectual/moral/ética para gerir e administrar seus órgãos, ele o privatiza.


     Como se dá a privatização? Simples. O Governo abandona determinado serviço, deixando-o que se deteriore, prestando um serviço cada vez mais de qualidade inferior e não fazendo investimentos necessários.  Como aconteceu com a extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), como aconteceu e está acontecendo com as rodovias federais e estaduais, como está acontecendo com hospitais e como está acontecendo com a educação!

    Sem investimentos, as RFFSA foi extinta em 1999, durante o Governo incompetente FHC, pelo Decreto nº 3.277. E a privatização foi uma 'saída' encontrada para retomar os investimentos no setor ferroviário. Mas as atuais empresas que deveriam administrar e fazer investimentos neste setor, não o fazem, assim como o Governo não fazia, e a situação continua e continuará da mesma forma. O Brasil é um país de dimensões gigantescas, e a principal forma de transporte de passageiros e escoamento de produtos é a rodoviária, que aliás, o Governo já abandonou há muito tempo! E está privatizando também. Agora pensem um pouco: se realmente fosse investido na malha ferroviária nacional tanto para aumentar o escoamento de produção, como também para o transporte de passageiros, como deveria realmente ser feito, o que aconteceria? Haveria menos caminhões nas estradas, menor fluxo de veículos, menor número de acidentes, maior facilidade para escoamento da produção agrícola, menos transtornos nos portos, entre muitos outros benefícios. Mas as empresas concessionárias do setor ferroviário estão apenas visando o lucro para si, sem se importar com as necessidades de investimentos.

    Recomendo assistir esta série de reportagem em 4 partes: Sucateamento da Rede Ferroviária Federal - Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4.

     E em relação à saúde e educação? Por que não está sendo realizado o investimento necessário? A cada dia que passa, escolas, colégios, faculdades, postos de saúde, hospitais, todos serviços públicos, estão sendo sucateados, deixados sem investimentos e à própria sorte. E pra quê? Para que o povo PENSE que a privatização é a melhor saída! É obvio que a privatização vai surtir alguma melhoria inicial nestes setores, assim como aconteceu com as concessões rodoviárias: as empresas começam investindo e melhorando as estradas, colocam pedágios a um valor mais barato, as pessoas começam a confiar e a acreditar que a privatização é uma excelente alternativa, e depois de algum tempo as tarifas nos pedágios aumentam, já não são feitas as melhorias nas estradas, e as empresas apenas estão lá para obterem mais e mais lucro nas costas do povo otário! E em relação à saúde e educação vai acontecer a mesma coisa. Estes setores já estão abandonados. E há inclusive propostas para 'privatizar' a saúde: Manifesto de Repúdio à Proposta do Governo Federal de Subsidiar os Planos Privados de Saúde.

      Como citado no manifesto acima: "A referida medida que beneficia planos privados é anunciada poucos meses depois da venda de 90% da AMIL, maior operadora de planos privados de saúde no Brasil, para a empresa norte-americana United-Health...". Ainda segundo o texto "Tal política não responde a maioria da Nação: sistemas de saúde controlados pelo mercado são caros, deixam de fora idosos, pobres e doentes; são burocratizados e desumanizados, pois as pessoas são tratadas como mercadoria" e "o que se constata é que o Estado está cada vez menos para o SUS e máximo para o mercado". Mas se o Governo tem recursos para subsidiar o setor privado, porque não utilizar este recurso diretamente na saúde?

       Privatização = incompetência + desinteresse + favorecimento!!!

terça-feira, 2 de abril de 2013

As abelhas e os agrotóxicos...

As abelhas e os agrotóxicos...


Não é só diretamente que o homem irá sofrer as consequências do uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos. A grande maioria das plantas cultivadas para alimentação humana são dependentes de polinização para produzirem grãos, cereais, frutas e etc. E esta polinização é realizada principalmente por insetos, mais notadamente, pelas abelhas.


      A vida do homem na Terra depende de alguns processos biológicos chaves chamados de serviços ecossistêmicos, que são as condições e os processos pelos quais os ecossistemas naturais e as espécies neles inseridas sustentam e complementam a vida, e não apenas a vida humana, mas de todos os seres vivos do planeta. A polinização é um desses serviços. Por meio da polinização realizada pelo vento ou por animais, as plantas se reproduzem, produzem frutos, e também evoluem, se tornando mais adaptadas, mais resistentes, mais produtivas. E é por meio da polinização que se estabelece a produtividade das plantas e dos animais em praticamente todos os ecossistemas terrestres.

    No planeta há uma intrínseca rede de interações onde cada espécie, desde a mais pequena e invisível ao olho nu, passando pelas plantas, animais, solo, água, até mesmo o 'efeito estufa' no planeta, e inclusive o ser humano, tem a sua função e a sua importância na manutenção da vida. Mas para variar, o ser humano está destruindo tudo. 

     E o que as abelhas tem a ver com isso? As abelhas são os insetos mais importantes para a polinização da maioria das plantas utilizadas pelo ser humano sejam frutas, legumes, grãos e até mesmo fibras como o algodão. E elas estão desaparecendo. Só nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 1,4 milhão de colmeias, de um total de 2,5 milhões, tenha desaparecido. Este fato teve maior importância em 2006, quando milhões de colmeias desapareceram na Califórnia. E ganhou mais repercussão ainda quando estes desaparecimentos foram notados em diversos países da Europa.

E o que o ser  humano tem a ver com isso? O crescimento populacional desenfreado, a destruição de florestas e ecossistemas, a poluição da água, do ar e do solo são alguns dos fatores. E o principal deles é o uso indiscriminado de agrotóxicos, que não afeta apenas as abelhas, mas diversas outras espécies de insetos polinizadores. Os agrotóxicos são usados nas culturas de interesse econômico contra as pragas, que na sua quase totalidade, são insetos. Estes agrotóxicos não diferenciam lagartas, besouros ou abelhas, polinizadores ou não, sua função é eliminar insetos, e as abelhas estão nesse 'fogo cruzado'.
       
      O uso abusivo de agrotóxicos não está afetando apenas o ser humano, mas colocando em risco toda a vida no planeta. Solos estão sendo contaminados, a água está sendo contaminada, alimentos estão sendo contaminados, e as abelhas estão desaparecendo. Todas as plantas, todos os animais, dependem da polinização. As plantas dependem da polinização para se reproduzir e dar frutos, herbívoros dependem das plantas para se alimentarem, carnívoros dependem dos herbívoros e assim por diante. Se não houver polinização, não haverá frutos, não haverá reprodução das plantas e elas tenderão a desaparecer, levando consigo toda essa teia de interações. E o problema maior é o homem e seus venenos industriais.

       Aliás, mais especificamente, a indústria de tais venenos. Não eximirei os produtores de sua parcela de culpa, mas as indústrias que produzem tais 'produtos', visam apenas suas vendas, suas receitas, seu lucros. Empresas como a Monsanto, Bayer, Syngenta, entre muitas outras, criam seus produtos, fazem testes ridículos, e devido ao lobby em governos,  conseguem a aprovação e liberação de seus produtos. Mas quando cientistas realmente examinam a fundo os efeitos de seus produtos, elas contestam os resultados dizendo: "Este relatório não é digno da EFSA e seus cientistas" (resposta da Syngenta sobre a avaliação da toxicidade do Tiametoxan sobre as abelhas pela EFSA) e dizem ainda que "os produtos químicos não causam danos as abelhas se usados da maneira pela qual foram aprovados". Ou seja, a própria fabricante do produto, 'tira da reta' sua TOTALIDADE de culpa e a joga sobre o produtor.

      Ok. Muitos produtores sabem dos problemas e dos perigos sobre o uso de agrotóxicos, e mesmo assim os utilizam para proteger suas culturas de ataques de pragas. A maioria dos produtores utilizam dosagens maiores que as recomendadas, e muitos ainda utilizam produtos que já foram proibidos. Mas por que? Por culpa das indústrias de tais produtos! Quando um produto é proibido na Europa, eles não reavaliam sua formulação, não fazem novos testes, não retiram o produto do mercado. Eles simplesmente enviam para outros países onde seu uso ainda é permitido devido ao forte lobby que estas empresas exercem. Produtos proibidos na Europa por terem tido comprovadas seus perigos para a saúde e o meio ambiente, são utilizados no Brasil.

     Mas voltando ao assunto, "desconfia-se" que este desaparecimento das abelhas está relacionado a inseticidas da classe dos 'neonicotinoides', com origem da nicotina, e que tem ação sistêmica, ou seja, eles entram na planta e passam a fazer parte de sua seiva, suas células e, consequentemente, vão parar nas flores, néctar e pólen. As abelhas se alimentam do néctar e pólen envenenado, se não morrem na planta, o pólen e o néctar contaminado por agrotóxico vão parar nas colmeias, onde servem de alimento para as abelhas na forma de mel, e o resultado, é o enfraquecimento e desaparecimento da colmeia.

    "A Comissão Européia (CE) quer proibir durante dois anos a utilização de vários pesticidas mortais para as abelhas para quatro tipos de cultivos: milho, canola, girassol e algodão". Mas é claro que as empresas que produzem e tem lucro com estes venenos são contra a esta proibição: "De acordo com John Atkin, diretor de operações da Syngenta [...] a probição dos neonicotinoides 'nao salvaria uma única abelha'". E estas empresas estão interessadas na perda de suas vendas? Provavelmente, se estes produtos forem realmente proibidos na Europa, eles serão vendidos em outros países.

      Concordo com Albert Einstein: "No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais do que quatro anos de vida."


Para saber mais:




E recomendo que assista o documentário: O Silêncio das Abelhas.